ESPAÇOS DE DESPEDIDA: AMBIENTES PROJETADOS COM FOCO NOS ENLUTADOS

Mikhael Soares Pereira

Resumo


A cerimônia de despedida é muito importante para aqueles que acabaram de perder seus entes queridos, e varia de acordo com a cultura e a religião. Ela é necessária para o enlutado expor sua dor, despedir-se, receber apoio e conforto. O luto, sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém, acompanha a cerimônia e representa o fim de um ciclo e o começo de outro. Quando a cerimônia não transpassa sua finalidade (a de despedida e de um recomeço), efeitos psicológicos negativos podem surgir a longo prazo. Caso não vivencie esse ritual, é comum que a pessoa crie a ilusão de que a perda não foi real, que fique na espera, por exemplo, da alta do hospital, da chegada do mercado, já que a ausência de despedida é uma das formas de não entrar em contato com a situação real da perda e da morte. O processo de luto e despedida tem sido complicado nos tempos de Covid-19, em que os entes têm sido impedidos de velar os corpos e de compreender os sentimentos. Portanto, é importante que haja propostas de ambientes arquitetônicos voltados para a despedida, contribuindo com espaços físicos que acolham todos os sentimentos de tristeza, uma arquitetura livre para a interpretação de acordo com o pensamento de cada usuário, espaços refletiram a liberdade de pensamento a ser vivenciada, através de monumentos, formas e elementos arquitetônicos para interação, apreciação, evocação e elucidação do luto sentido. O resultado esperado é acalentar os que sofreram a perda e permitir a sensação da concretização do fim da vida, abraçando o espectador e fazendo com que esse processo ocorra da forma mais branda possível.

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